domingo, 17 de outubro de 2010

O Rio de Janeiro é uma cidade para se experimentar

Já foi aclamada por grandes poetas e músicos, está mais que presente no cinema e nas artes plásticas, faz parte do cartão-postal do Brasil e, mesmo assim, só quem respira um pouco do clima carioca sabe o que estas artes tentam exprimir.

Não adianta: do mesmo jeito que “ser carioca” é um estado de espírito que não se perde mesmo longe do sol e do mar, qualquer um que põe os pés na Cidade Maravilhosa ganha um pouco desse ar descontraído, esperto e bem-humorado.

É, apesar de tudo, uma cidade de contrastes. Nem todos têm as mesmas chances; existe a violência das grandes cidades. Mas o jeitinho do carioca sempre encontra uma maneira ou outra para driblar as diferenças. É por isto que três dos principais símbolos da cidade são também espaços onde convivem todas as classes: o Maracanã, com o futebol, onde o que vale é torcer pelo time do coração; o Carnaval, em que a paixão pelo samba supera qualquer diferença; e as praias, porque, afinal, o mar é de todos.
HISTÓRIA

Para começo de história, a cidade do Rio de Janeiro não recebe este nome por causa de um rio! Na verdade foi um estuário, observado por Gonçalo Coelho logo após o descobrimento do Brasil, que inspirou o nome. Gonçalo Coelho era o encarregado do reconhecimento da terra e pensou que o estuário era a foz de um grande rio. Como era dia 1 de janeiro de 1502, o nome ficou sendo “Rio de Janeiro”.

A fundação da cidade, mais de meio século depois, se deu por questões militares. É que, em 1555, as invasões francesas ocuparam a Ilha de Villegaignon para lá fundar uma colônia. Isto obrigou os portugueses a prestarem mais atenção na costa brasileira, principalmente na região da Guanabara. Então, em 1560, o terceiro governador geral do Brasil, Mem de Sá, saiu da Bahia com o objetivo de expulsar os franceses da ilha. E conseguiu.

O sucesso foi comunicado à Rainha Regente, D. Catarina, em Portugal, por Estácio de Sá, primo de terceiro grau de Mem de Sá. Por causa das peculiares relações de parentesco da época, alguns historiadores atribuem a Mem de Sá a posição de “tio” de Estácio de Sá; uma questão de proximidade.

De qualquer forma, foi Estácio de Sá quem veio para o Rio em 1564, com instruções do primo para expulsar os inimigos, manter paz com os índios tamoios e ouvir os conselhos do Padre Nóbrega. Como não foi possível se entender com os tamoios, Estácio pediu a intervenção do padre.

Conseguido o apoio dos índios, Estácio de Sá organizou a expedição e partiu em 22 de janeiro de 1565. Em 1o de março desembarcaram e foi fundada a cidade, a que se chamou de São Sebastião do Rio de Janeiro, em homenagem ao Rei de Portugal, D. Sebastião.
O carioca já nasce abençoado. E quando DEUS abençoa é para SEMPRE!!!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Ser Professor (a)...

Ser Professor (a)

É buscar dentro de cada um de nós

forças para prosseguir, mesmo com toda pressão,

toda tensão, toda falta de tempo...

Esse é nosso exercício diário!

Ser professor (a) é se alimentar do conhecimento

e fazer de si mesmo (a) janela aberta para o outro.

Ser professor (a) é formar gerações, propiciar o

questionamento e abrir as portas do saber.

Ser professor (a) é lutar pela transformação...

É formar e transformar,

através das letras, das artes, dos números...

Ser professor (a) é conhecer os limites do outro.

E, ainda assim, acreditar que ele seja capaz...

Ser professor (a) é também reconhecer que

todos os dias são feitos para aprender...

Sempre um pouco mais...

Ser professor (a)

É saber que o sonho é possível...

É sonhar com a sociedade melhor...

Inclusiva...

Onde todos possam ter acesso ao saber...

Ser professor (a) é também reconhecer que somos,

acima de tudo, seres humanos, e que temos licença para rir, chorar,

esbravejar.

Porque assim também ajudamos a pensar e construir o mundo.

Todos os dias do ano são seus, professor(a)!

Parabéns!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

"A educação brasileira vai mal"

O professor brasileiro de primário é um dos que mais sofre com os baixos salários.

É o que mostra pesquisa feita em 40 países pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) divulgada ontem, em Genebra, na Suíça. A situação dos brasileiros só não é pior do que a dos professores do Peru e da Indonésia.

Um brasileiro em início de carreira, segundo a pesquisa, recebe em média menos de US$ 5 mil por ano para dar aulas. Isso porque o valor foi calculado incluindo os professores da rede privada de ensino, que ganham bem mais do que os professores das escolas públicas. Além disso, o valor foi estipulado antes da recente desvalorização do real diante do dólar. Hoje, esse resultado seria ainda pior, pelo menos em relação à moeda americana.

Na Alemanha, um professor com a mesma experiência de um brasileiro, ganha, em média, US$ 30 mil por ano, mais de seis vezes a renda no Brasil. No topo da carreira e após mais de 15 anos de ensino, um professor brasileiro pode chegar a ganhar US$ 10 mil por ano. Em Portugal, o salário anual chega a US$ 50 mil, equivalente aos salários pagos aos suíços. Na Coréia, os professores primários ganham seis vezes o que ganha um brasileiro.

Com os baixos salários oferecidos no Brasil, poucos jovensacabam seguindo a carreira. Outro problema é que professores com alto nível de educação acabam deixando a profissão em busca de melhores salários.

O estudo mostra que, no País, apenas 21,6% dos professores primários têm diploma universitário, contra 94% no Chile. Nas Filipinas, todos os professores são obrigados a passar por uma universidade antes de dar aulas.

A OIT e a Unesco dizem que o Brasil é um dos países com o maior número de alunos por classe, o que prejudica o ensino. Segundo o estudo, existem mais de 29 alunos por professor no Brasil, enquanto na Dinamarca, por exemplo, a relação é de um para dez.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o salário médio do docente do ensino fundamental em início de carreira no Brasil é o terceiro mais baixo do mundo, no universo de 38 países desenvolvidos e em desenvolvimento. O salário anual médio de um professor na Indonésia é US$ 1.624, no Peru US$ 4.752 e no Brasil, US$ 4.818, o equivalente a R$ 11 mil. A Argentina, por sua vez, paga US$ 9.857 por ano aos professores, cerca de R$ 22 mil, exatamente o dobro. Por que há tanta diferença?

Fonte: Jornal do Commercio - Rio de Janeiro


Em abril de 2007 saiu uma pesquisa nacional com o mesmo tema naRevista Nova Escola.
Piso salarial dos professores nos Municípios .
Aracaju - 951,63 (40 horas)
Belém - 989,18 (30 horas)
Belo Horizonte - 1.158,00 (22,5 horas)
Cuiabá - 900,00 (20 horas – com curso superior)
Curitiba - 686,00 (20 horas)
Florianópolis - 1.792,08 (40h– concursado) 1.354,64 (40h não concursado)
Fortaleza - 533,06 (20 horas)
Goiânia - 646,69 (30 horas)
Maceió - 777,71 (20 horas com curso superior)
Manaus - 816,00 (20 horas)
Natal - 771,20 (20 horas)
Palmas - 1.019,00 (20 horas)
Recife - 785,90 (20 horas com licenciatura)
Rio de Janeiro - 918,53 (22 horas)
São Luis - 814,00 (24 horas)
São Paulo - 950,00 (20 horas)
Teresina - 535,54 (40 horas)
Vitória - 1.168,44 (40 horas)
*em reais.

As secretarias de Educação dos municípios de Boa Vista, Campo Grande, João Pessoa, Macapá, Porto Alegre, Porto Velho, Salvador e Rio Branco não enviaram os dados sobre o piso salarial solicitado pela reportagem.

Piso salarial dos professores nos Estados.
Acre - 616,00 (30 horas)
Alagoas - 1.015,00 (20 horas com curso superior)
Amazonas - 816,00 (20 horas)
Bahia - 648,79 (20 horas)
Ceará - 1.072,58 (40 horas)
Distrito Federal - 845,27 (20 horas)
Espírito Santos - 519,34 (25 horas)
Mato Grosso 1.084,97 (30 horas com curso superior)
Mato Grosso do Sul - 1.629,20 (40 horas com curso superior)
Minas Gerais - 478,65 (24 horas com curso superior)
Paraíba - 613,64 (25 horas)
Paraná - 665,23 (20 horas)
Pernambuco - 462,00 (30 horas + 60% gratificação do magistério)
Piauí - 915,10 (40 horas)
Rio de Janeiro - 862,00 (40 horas)
Rio Grande do Sul - 414,20 (20 horas)
São Paulo - 1.144,39 (30 horas com gratificação)
Sergipe - 819,01 (40 horas com curso superior)
Tocantins - 2.020,00 (40 horas concursados – 1.206 (40 horas não concursados)
*em reais.

As secretarias de Educação dos estados do Amapá, Goiás, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima e Santa Catarina não enviaram os dados sobre o piso salarial solicitado pela reportagem.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

SER ESTUDANTE:

Se quiseres ser um verdadeiro estudante
Não aprenda só o superficial,
Pois o difícil pode se tornar barreira vencida.
Para aquele cujo momento chegou agora, nunca é tarde demais!
Aprender o ABC não basta, mas aprenda-o.
Procura na escola o que deseja para tua vida,
Pois ela te recolherá, orientará, dirigirá.
Confia nos teus mestres: eles não te decepcionarão.
Se não tens teto, cobre-te de saber,
De vontade, de garra.
Se tens frio, se tens fome,
Agarra-te ao livro: ele é uma boa arma para lutar.
Se te faltar coragem,
Não tenha vergonha de pedir ajuda.
Certamente haverá alguém para te estender a mão.
Sê leal, fraterno, amigo, forte!
Nunca te deixes ser fraco, desleal, covarde.
Pois tu, jovem estudante,
tens que assumir o comando do teu país.
Respeita para ser respeito.
Valoriza para ser valorizado.
Espalha amor para seres amado.
Não tenhas medo de fazer perguntas:
toda a resposta terá sentido.
Não te deixes influenciar por pensamentos alheios ou palavras bonitas.
Tenha a tua própria linguagem (aperfeiçoa-te).
Quando te deparares com a injustiça, a impunidade, a corrupção, a falta de limites, o abuso de poder,
Pensa na existência de tudo o que te cerca.
Busca o teu ideal e lembra: um valor não se impõe, se constrói.
Não faça do teu colega, uma escada para subir.
Isto é imoral e a imoralidade não faz parte da tua lição.
Autora: Marina da Silva

terça-feira, 5 de outubro de 2010

POR QUE DEVEMOS ESTUDAR?

Um ano tem 365 dias para podermos estudar.

Depois de tirar 52 domingos, só nos restam 313 dias.
No verão há 50 dias durante os quais faz demasiado calor para poder estudar. Assim restam-nos 263 dias.
Dormimos 8 horas por dia, por ano isso são 122 dias. Agora temos 141 dias.
Se nos derem 1 hora por dia para fazer o que nós quisermos, 15 dias desaparecem, assim restam-nos 126 dias.
Gastamos 2 horas por dia para comer,assim usamos desta maneira 30 dias e sobram-nos apenas 96 dias no nosso ano.

Gastamos 1 hora por dia a falar com amigos e familiares, o que nos tira 15 dias mais,e então restam-nos 81dias.
Exames e testes ocupam no mínimo 35 dias do nosso ano, portanto só nos restam 46.
Tirando aproximadamente 40 dias de férias e feriados, ficamos apenas com 6 dias.
Digamos que no mínimo estás 3 dias doente, e estás então com apenas 3 dias para poder estudar!
Digamos também que só saímos 2 dias!

Só resta 1 dia!!!!
Porém, esse único dia... é o seu aniversário!

via: www.portaldohumor.com.br

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Século XXI

Desculpas de um aluno moderno...
A cada dia evoluindo mais!!! rsrs

domingo, 3 de outubro de 2010

sábado, 2 de outubro de 2010

"A educação brasileira vai mal"


15/09/2010
Alessandra Bizoni/alessandra.bizoni@folhadirigida.com.br

Ao completar 90 anos de idade e quase 70 anos de magistério e dedicação à educação, a professora Edília Coelho Garcia faz uma contundente análise do cenário educacional brasileiro. E afirma: "A educação brasileira vai mal".

Com a experiência de quem acompanhou a elaboração das três leis de Diretrizes e Bases da Educação que o Brasil já teve (LDB 1961, 1971 e 1996), a educadora aponta erros e acertos em termos das políticas públicas realizadas ao longo das últimas décadas.

Presidente honorária da Associação Brasileira de Educação (ABE), fundadora das Academias Brasileira e Internacional de Educação, a docente, que influenciou toda uma geração de educadores, espelha em sua trajetória profissional momentos decisivos da História recente do Brasil.

Em seu álbum de fotografias, figuram personagens ilustres do cenário educacional, como a professora Helena Antipoff, pioneira na educação especial no Brasil; Dom Lourenço de Almeida Prado, que por décadas, dirigiu o Colégio de São Bento; Esther de Figueredo Ferraz, advogada, educadora e primeira mulher a comandar o Ministério da Educação (MEC); e o padre Arthur Alonso, reitor do Colégio Santo Ignácio e primeiro reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

E, juntamente com as comemorações de seus 90 anos, Edília Coelho Garcia dividiu com os leitores da FOLHA DIRIGIDA um pouco de sua experiência e também de suas expectativas de curto e médio prazo. Neste contexto, reitera a bandeira defendida há décadas: a valorização do magistério.

"Repito que, só com professores preparados para enfrentar esses desafios, teremos uma educação de qualidade. Eu ainda diria que os investimentos precisam ser melhor direcionados e aproveitados. No momento atual, é preciso, antes de qualquer coisa, ocorrer uma mudança na metodologia de ensino e, para que isso aconteça, é preciso investir na formação dos professores e na sua atualização continuada", completou a presidente honorária da ABE.


FOLHA DIRIGIDA - Como a senhora avalia a educação brasileira atualmente?
Edília Coelho Garcia - Essa é uma tarefa bem difícil e que, à primeira vista, se me afigura superior às minhas forças. Aos 90 anos, não sei se poderei avaliar o momento atual da educação. Sempre usei a coragem, o entusiasmo e a sinceridade nos meus julgamentos e acredito que, quando se julga, é possível acertar ou errar. Portanto, não sei se erro ao me permitir afirmar que a educação brasileira vai mal. Estamos diante de um descompasso entre os muitos avanços que estão acontecendo em diversas áreas e a morosidade com que a educação do país tenta atingir patamares ideais. Tenho lido e acompanhado notícias de que existe uma grande insatisfação entre educadores, pedagogos, jornalistas, empresários e mesmo entre alguns políticos, em relação à educação básica, cujos problemas passaram a ser uma preocupação geral. Também as crianças e adolescentes vêm revelando seu total desapreço ao ensino formal oferecido pelas escolas. Essa constatação pode ser verificada pelos índices de reprovação, de repetência e de dependência. Muitos estudantes estão até fugindo da escola, agredindo professores ou levam muito mais tempo do que o desejável para concluir uma série ou um curso. Há um verdadeiro desperdício de dinheiro, de esforço e de tempo de vida dos estudantes e, em última análise, de todos os envolvidos na tarefa educativa. Infelizmente, o Brasil ainda está longe de possuir uma educação que prepare e forme pessoas que, verdadeiramente, conheçam o significado de responsabilidade social e que tenham condições de conduzir o país para um desenvolvimento sustentável. Afirmo que isso só será possível se tivermos uma educação de qualidade. Precisamos acordar e realizá-la na prática porque o país ainda tem altos índices de analfabetismo e nossas crianças, comparadas às crianças de outros países, inclusive de países economicamente inferiores ao Brasil, demonstram um desempenho ainda bastante insatisfatório.

Que tipo de investimento o país precisaria para que nossa educação fosse, efetivamente, de qualidade?
Historicamente, os governos não têm investido na formação dos professores e, menos ainda, na sua qualificação e consequente valorização. Os professores precisam estar melhor preparados para atender a estudantes que são, em grande parte, mais bem informados e têm acesso a diversos tipos de mídia eletrônica, que eles próprios, muitas vezes, não dispõem. Repito que só com professores preparados para enfrentar esses desafios teremos uma educação de qualidade. Eu ainda diria que os investimentos precisam ser melhor direcionados e aproveitados. No momento atual, é preciso, antes de qualquer coisa, ocorrer uma mudança na metodologia de ensino e, para que isso aconteça, é preciso investir na formação dos professores e na sua atualização continuada. Acredito que o momento presente exige investir na carreira do magistério em todos os aspectos que ela abrange. Precisamos resgatar a autoestima dos professores, oferecendo-lhes condições dignas de trabalho para voltar a serem respeitados pela sociedade e admirados por seus alunos. É também urgente uma alteração na estrutura dos cursos de Educação, adequando-a para a nova realidade com que nos defrontamos, onde as crianças e os adolescentes são muito diferentes das crianças e adolescentes de 20 anos atrás. Anísio Teixeira dizia: "Educar é crescer. Crescer é viver educação e a educação é o instrumento fundamental".

Quais são os desafios para os educadores no século XXI?
O meu forte não é numerologia, nem fazer previsões. Especialmente em relação ao futuro é difícil saber como virá a ser a educação no Brasil. Num país de dimensões continentais, com um povo com características, hábitos e costumes diversificados e convivendo com tantos problemas sociais, há muito o que fazer e não é uma tarefa fácil. Enquanto a sociedade civil não despertar de verdade para a importância de um povo educado e preparado para enfrentar os desafios que vislumbramos nesse século XXI, permaneceremos sendo apontados como o país que não atinge suas metas na educação. A missão da educação é a mesma, mas os desafios são outros. Os estudantes de hoje têm um novo perfil e os professores terão que mudar também. O desafio, hoje, é formar cidadãos conscientes de suas responsabilidades para com os outros e para com o planeta. Face a todos os problemas sociais como a pobreza, conflitos raciais e guerras, proliferação das drogas e suas consequências daninhas, além dos problemas ambientais como a devastação das reservas naturais, o professor, além de transmitir sua disciplina, precisa ter uma maior responsabilidade no sentido de conseguir criar em cada educando uma conscientização profunda da importância da responsabilidade social, da preservação do meio ambiente e dos princípios éticos e morais.

Dentro deste contexto, o que deve mudar na prática docente?
Os professores com acesso a uma formação continuada deverão pesquisar para reformular seus métodos de ensino e assim, readquirirem e exercerem a efetiva função de docência que, sabemos, não significa apenas dar aula. Em seu sentido amplo, docência envolve planejar o curso, empenhar-se na observação participante, elaborar material didático atrativo, orientar os estudantes, organizar e desenvolver seminários, registrar e documentar as aulas e atividades, elaborar relatórios a respeito do desenvolvimento dos cursos e, ainda, analisar, interpretar e divulgar, sempre que possível, textos escritos e apresentá-los em congressos, disseminando assim suas experiências. No momento atual, e não se sabe o que ainda virá por aí, com toda essa mídia e essa tecnologia que nos cercam, com a velocidade com que tudo muda, não se pode querer que os estudantes absorvam ensinamentos com o tipo de aula que ainda se mantém apenas tendo como "instrumentos" o tablado com a mesa, o quadro-negro e o giz manejado pelo professor. Os atrativos dos equipamentos eletrônicos são ferozes na competição com a sala de aula e certamente, serão os vencedores. É preciso criar uma nova metodologia de ensino que conquiste o interesse dos alunos e os faça querer participar das aulas que, necessariamente, deverão ser muito mais criativas. O volume de informação existente hoje precisa ser aproveitado de maneira construtiva e o papel do professor é fundamental nessa tarefa, de modo a fazer com que os alunos possam compreender as informações que são pertinentes, no enorme volume a que têm acesso pela internet, tevê, celular e toda essa parafernália eletrônica. Volto a dizer que informação não é conhecimento e será com a ajuda do professor e de um novo método de ensino que os alunos adquirirão conhecimento consistente.

Ao longo de sua trajetória profissional, como avalia o sistema educacional brasileiro?
Na minha longa trajetória profissional assisti a acertos e a erros em relação ao desenvolvimento do sistema educacional brasileiro. As leis que regularam esses sistemas sempre dependeram mais dos que colocam suas diretrizes em prática do que daqueles que as formularam. O que observamos é que, mais ou menos de dez em dez anos, as leis sobre a educação brasileira são alteradas. No entanto, a experiência tem mostrado que nem sempre as alterações foram a melhor solução. Uma alteração na lei ou nas políticas públicas deveria ser sempre precedida de uma ampla avaliação da aplicação das diretrizes nelas contidas e isso nem sempre é feito. Uma frase que muitos já me ouviram falar e que faço questão de repetir é que nossos governos adoram reinventar a roda, mas infelizmente ela fica sempre girando no mesmo lugar, dá a impressão que irá adiante, mas acaba voltando. Portanto, antes de criar novas leis ou alterá-las, acredito que, para aperfeiçoar o sistema educacional brasileiro, precisamos é analisar e colocar em prática as conclusões levantadas por todos os processos avaliativos que, aliás, já são amplamente realizados e de modo bem eficaz, tanto em âmbito municipal como nos âmbitos estadual e federal. Essas conclusões podem redirecionar as políticas, implantando-se ou ampliando-se o que vem dando certo e suprimindo-se o que não trouxe benefícios aos estudantes e professores. Creio ser possível levantar as necessidades a partir dos resultados de uma avaliação criteriosa, direcionar o desenvolvimento dos programas educacionais, identificando as oportunidades de melhoria, e por último, atrelando novas metas a serem atingidas pelo sistema educacional.

Teria algum momento em sua trajetória profissional que consideraria como mais relevante ou que gostaria de destacar?
Eu vivi muitos momentos relevantes na minha trajetória profissional. Parece-me que um deles merece uma menção especial. Refiro-me ao meu primeiro dia como conselheira, quando participei da sessão plenária do Conselho Federal de Educação, presidida pelo então ministro da Educação, Jarbas Passarinho, que também tive o prazer de conhecer naquele dia. Lá, fui apresentada a conselheiros ilustres que eu já conhecia através dos livros, de conferências ou pelas respectivas atuações como administradores de educação. Nas cadeiras do Conselho se encontravam antigos ministros da Educação, secretários estaduais de Educação, reitores de universidades. O Conselho Federal de Educação me proporcionou a possibilidade de ter contato direto com Abgar Renault, Tarcísio Padilha, Esther de Figueiredo Ferraz, Newton Sucupira e muitos outros educadores. Esse primeiro dia no CFE, quando conheci tantas personalidades que eu já admirava, foi um momento de muita emoção para mim e me sinto até hoje muito honrada de tê-los tido como meus pares.

De todas as pessoas com as quais a senhora trabalhou, quais foram as mais marcantes para a educação brasileira? Por quê?
Para responder esta pergunta vou me restringir às já falecidas e destacarei algumas com quem convivi e tive oportunidade de trabalhar e que considero como marcantes para a educação brasileira. A primeira delas foi Helena Antipoff, uma notável educadora, russa de nascimento, naturalizada brasileira. Eu mesma realizei seu processo de naturalização e acompanhei de perto sua trajetória profissional. Dirigi a Sociedade Pestalozzi do Brasil, sediada no Leme, como administradora e D. Helena era a diretora técnica. Fomos grandes amigas e fizemos uma bela parceria. Três anos depois, ela se transferiu para Minas Gerais, onde fundou a Fazenda do Rosário, que abrigava alunos especiais e tornou-se uma grande escola para professores que vinham de todo o Brasil. Mantivemos até o seu falecimento um estreito relacionamento profissional e de amizade. Na mesma lista de pessoas ilustres, lembro D. Lourenço de Almeida Prado, reitor do Colégio São Bento e meu companheiro do Conselho Estadual de Educação. Como pensador da educação foi, antes de tudo, um filósofo humanista. Acreditava que a função da educação era libertar e permitir a criação intelectual que caracteriza o trabalho humano. O trabalho humano, para ele, tem sempre a marca do artístico porque a sua natureza é uma atividade criadora. Lembro-me de ter ouvido dele estas belas palavras a respeito da educação: "A educação é um processo interior, o desdobramento de potencialidades germinais e a aquisição de qualidades de alma que os filósofos chamam de ‘habitus’. Os ‘habitus’, como a ciência e a arte, são aprimoramentos que ampliam a capacidade e a liberdade de agir, enriquecendo e enobrecendo o homem como ser livre e criador". D. Lourenço foi um incansável defensor da importância dos ensinos fundamental e médio como etapas muito relevantes para a formação da criança e do adolescente. Defendia também a ideia de que a função da educação não é o aprendizado e sim criar o saber, que faz com que a criatura seja um ser livre. Em outras palavras, acreditava que o importante era que os jovens fossem capazes de crescer sabendo resolver seus problemas.

Há ainda outros educadores que a senhora gostaria de destacar?
Outra pessoa com quem tive o privilégio de conviver foi Esther de Figueiredo Ferraz, advogada e educadora brilhante. Conheci Esther no Conselho Federal de Educação e nos tornamos grandes amigas. Sempre que podíamos, participávamos juntas de simpósios e congressos no Rio ou em São Paulo. Esther era inteligente, bem humorada e muito séria quando o assunto era educação. Ela encantava a todos nas sessões plenárias com sua brilhante e pertinente argumentação. Nutria por ela uma enorme admiração e respeito. Tive a honra e o prazer de vê-la comentando pareceres meus de forma elogiosa, o que muito me envaidece. Merecidamente, foi a primeira mulher a ocupar o cargo de ministro da Educação e, sem dúvida alguma, foi uma das melhores pessoas que conheci, sempre conservando em todos os momentos sua fidalguia, demonstrando sua personalidade marcante, suas opiniões sensatas, suas ideias com conteúdo filosófico e humanístico, além do seu exemplar modo de ser. Encerro essa pequena lista com o nome do Padre Arthur Alonso, uma figura igualmente marcante. Era espanhol de nascimento, mas brasileiro de coração. Jesuíta, foi reitor do Colégio Santo Ignácio e fez da Administração seu ponto forte. Construiu a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e foi seu primeiro reitor. Além de sua ação como gestor, revelou-se um educador brilhante no campo universitário. Teve uma atuação extraordinária no Conselho Estadual de Educação e no período da ditadura, depois de lamentáveis ocorrências, foi mandado de volta a Espanha, onde fui encontrá-lo morando num pequeno mosteiro próximo de Madrid. Retornando ao Brasil, já velhinho, pelo menos uma vez por mês até a sua morte, eu ia visitá-lo, sempre ouvindo seus sábios conselhos e ensinamentos. Tive no Padre Alonso um grande amigo. Impossível incluir nessa lista todos os amigos que eu gostaria de destacar pois seria preciso ficar aqui o dia inteiro mencionando os que foram marcantes para a educação brasileira, como Newton Sucupira, Laura Lacombe, José Teixeira, Myrthes Wenzel e tantos outros que guardo na lembrança com muito carinho.

A senhora é presidente de honra da ABE. Qual é a importância desta instituição para a educação brasileira?
A Associação Brasileira de Educação (ABE) é uma instituição quase centenária. Nasceu antes da existência do Ministério da Educação, que foi instituído se não me falha a memória, pelos idos de 1930. A ABE é um local para encontros de pessoas que desejam estudar, defender e promover a educação do país, elevando a cultura e a dignidade da missão de educar. Congregou os mais brilhantes educadores de cada geração e dela fizeram parte nomes como o de Fernando de Azevedo, Antônio Ferreira de Almeida Júnior, Abgar Renault, Anísio Teixeira, Afrânio Peixoto, Lourenço Filho, Roquette Pinto e muitos outros. Desde sua criação, eram promovidas conferências de educação e cursos de alto nível ministrados por excepcionais professores e, ainda hoje, essa tradição é mantida, tendo ela se tornado um centro de referência para estudiosos da educação. Trata-se de uma instituição que sempre se levantará para defender o magistério e a educação brasileira, do mesmo modo que o fez, quando por volta de 1920, lutou pelo princípio de que a educação é um direito de todos os brasileiros, ocasionando a inclusão desse direito na Constituição Brasileira. Anos depois, 1932, lançou o Manifesto dos Pioneiros da Educação considerado como o marco inaugural do projeto de renovação educacional do país, o que efetivamente acabou ocorrendo. Na ABE, cuja sede é no Rio, encontra-se um acervo de documentos que preservam a memória do desenvolvimento educacional brasileiro e está à disposição de todos os educadores.

Fonte: Folha Dirigida

http://www.folhadirigida.com.br/script/FdgDestaqueTemplate.asp?pStrLink=7,85,0,238824&IndSeguro=0

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

"O Brasil trata muito mal a educação pública o professor"


21/09/2010
Mário Boechat

Debater a problemática da educação, tendo como base a valorização do magistério em termos de melhor capacitação do professor e salários dignos, com aspectos que se traduzem na defesa, proteção, representação e assistência à classe, visando, dentro dos princípios ideológicos abraçados, ao alcance dos objetivos estabelecidos. Essa é a missão quem vem norteando os ideais da União dos Professores Públicos no Estado do Rio de Janeiro (Uppes) há 65 anos, quando foifundada a entidade, no dia 8 de setembro de 1945. No entanto, a comemoração será no dia 17, em uma cerimônia de entrega de medalhas a professores e parceiros da educação.

Há 22 anos na presidência da Uppes e participando de momentos importantes de sua história, como a transformação de associação para sindicato, possível apenas pela instituição da Constituição de 1988, Teresinha Machado explica que o aniversário da entidade é motivo para comemoração. Porém, a situação do magistério no Brasil ainda é preocupante.

"A única coisa que podemos comemorar é a certeza de que é uma profissão importante, que todos os países que desejaram se desenvolver, conseguiram a partir da educação. O Brasil trata muito mal a educação pública e, consequentemente, o professor. A profissão é maravilhosa, é isso que temos de comemorar. E lutar para que os brasileiros possam entender que sem educação, principalmente a pública, um país não vai se desenvolver como deve, mesmo com a economia em alta. Ela precisa ser tratada com prioridade", comenta.

Estamos há cerca de um mês de mais um Dia do Professor. O que a categoria tem a comemorar?
Teresinha Machado - A única coisa que podemos comemorar é a certeza de que é uma profissão importante, que todos os países que desejaram se desenvolver, conseguiram a partir da educação. O Brasil trata muito mal a educação pública e, consequentemente, o professor. A profissão é maravilhosa, é isso que temos de comemorar. E lutar para que os brasileiros possam entender que sem educação, principalmente a pública, um país não vai se desenvolver como deve, mesmo com a economia em alta. Ela precisa ser tratada com prioridade. E nos preocupa muito o aumento da carga horária do professor. No Japão, um trabalhador morreu por excesso de trabalho. Não sei se os docentes no Brasil estão morrendo, não vi nenhum caso constatado, mas há doenças específicas nos profissionais do magistério. Temos levado isso às autoridades e, infelizmente, o pensamento dos gestores é de que os professores têm de trabalhar 40 horas semanais ou mais. Há alguns atuando por 90 horas. Como sindicato, podemos começar a pensar em uma lei sobre isso e fazer com que as pessoas entendam que a carga horária da categoria tem que ser menor, em virtude do trabalho que realiza. É desgastante, principalmente nos dias de hoje, pois tem havido muitos casos de violência nas escolas. As condições de trabalho precisam melhorar e muito.

Quais os principais problemas enfrentados pelos professores, no dia de hoje?
O principal é o dos baixos salários, que fazem com que o professor seja obrigado a ter duas ou mais atividades em escolas públicas e particulares. Os Cieps, por exemplo, não foram construídos adequadamente. O Inmetro condenou os prédios para atividades acadêmicas devido ao barulho. Isso acarreta baixa aprendizagem nos alunos, problemas de voz no professor, de audição. Além disso, os docentes não têm apoio nas salas de aula e sofrem com problemas de violência e com o próprio descrédito, que vem do tratamento dado pelas autoridades à categoria. A carga horária alta também é outra batalha enfrentada pelos docentes.

Atualmente, faltam professores de várias disciplinas no mercado. O que tem motivado esta baixa procura pela carreira?
Ninguém quer trabalhar nessas condições, com baixos salários, colocando em risco sua vida. O professor precisa estar sempre atualizado, ter cultura. Mas nem isso basta. Ele é peça fundamental na sociedade. Com certeza, um docente que faz um concurso para outra área e passa vai para esse novo emprego. As condições certamente serão melhores.

O piso nacional resolveu o problema da baixa remuneração dos profissionais do magistério?
Absolutamente. Ele é uma vergonha. Ninguém sobrevive com esse salário. Hoje, há uma fuga enorme da profissão. Muitas faculdades não têm nem mais o curso de Pedagogia, devido à falta de alunos. A situação é muito séria e vai se refletir muito mais no futuro se o Brasil, urgentemente, não priorizar a educação, se não pagar bem os profissionais, se não der condições de trabalho, respeitar, valorizar e exigir deles também. Quando o professor possuir todas essas variáveis a seu favor, o governo terá o direito de cobrar muito mais dele. Não estamos defendendo apenas a questão salarial, mas a educação como um todo. É uma grande preocupação que temos.

Por que os governos não priorizam a educação?
Acredito que os governantes têm uma preocupação muito grande em mostrar ações bem visíveis. E a educação não aparece logo, é algo que, quando a pessoa adquire, vai ter para sempre. Aparece muito mais a construção de um prédio, estradas ou outras coisas que são vistas em primeira mão. Vi uma declaração de um diplomata em uma revista dizendo que, no Brasil, os candidatos querem ganhar voto, e conseguem muito mais dando Bolsa-Família, colocando laptop para os professores do que melhorando o salário deles. Mas isso é um engano. Essas pessoas estão enganadas. Os partidos políticos deveriam escolher melhor seus candidatos e ter uma plataforma melhor para a gestão de quem for eleito. A própria sociedade deveria exigir mais também. Aparentemente, a educação não garante votos, mas eles esquecem que a categoria é de 160 mil profissionais. O voto do professor não vai de graça para esses políticos, não. O docente está muito decepcionado com o governo. Para a reeleição, não se pode contar com o voto deles. É um país com muitos analfabetos, pessoas sem escolaridade. Mesmo com a insatisfação da categoria, os candidatos conseguem por outros meios, pela ignorância de muitos eleitores.

Além da questão salarial, quais as outras demandas mais urgentes em relação ao magistério?
Precisamos nas escolas de equipes de trabalho. Hoje em dia, sabemos que o ser humano é bastante complexo, temos uma compreensão muito maior dos homens. Muitos alunos nas salas de aula, a massificação, prejudica muito o ensino. Um professor não pode dar conta de tantas crianças, o tratamento individual fica impossibilitado de ser feito. É preciso tratar um a um, dar afetividade, solidariedade, para que eles possam crescer. É uma via de mão dupla: o docente aprende com o aluno, que aprende com o professor. Por isso, é necessário ter uma equipe nas escolas, a figura do técnico pedagógico, assistente social, orientador educacional, psicólogo. Isso serviria para amparar o professor. E as turmas precisam ser menores, para que ele possa dar uma assistência melhor para seus alunos e poder despertar talentos. A metodologia das escolas está muito arcaica, é necessário atualizá-la. Tínhamos um exemplo muito bom que era o Centro Educacional de Niterói, no qual a criança saía de lá com possibilidade de seguir qualquer carreira. Possuía uma metodologia que poderia servir de exemplo para todas as escolas. Mas é preciso pessoal nos colégios.

Muito se fala em um crescimento da ocorrência de casos de violência nas escolas. De que forma isso tem afetado os professores?
Nós temos conseguido transferência de professores, que são ameaçados de morte ou de terem o carro apedrejado, isso quando possuem veículo. Os alunos intimidam, dizendo saber onde os docentes e sua família moram. Fazem um terrorismo psicológico. E isso afeta muito a saúde do professor, prejudicando também o próprio aluno, que não vai ter uma aprendizagem adequada, em todos os sentidos. A escola também é educadora e precisa ser esse meio de educar, enquanto os pais estão trabalhando. E, muitas vezes, educar a família também.

A união da categoria é fundamental para qualquer conquista do magistério. No entanto, os dois principais sindicatos de professores que reivindicam melhorias para a rede estadual, a Uppes e o Sepe, atuam de forma isolada. Por que não é possível unir os esforços?
Ultimamente, embora sejamos entidades separadas, temos muitos pontos convergentes e conseguido um trabalho mais de união. Houve uma época que, realmente, havia uma divisão. Hoje, não temos. Na verdade, os problemas e as lutas são os mesmos. E só fortalece ter mais de um sindicato. As propostas são muito semelhantes. Temos, inclusive, conversado com a coordenadoria do Sepe, para trabalharmos juntos em diversas ocasiões.

Há diferenças tão claras entre as propostas de atuação da Uppes e do Sepe, que inviabilizam esta união de esforços? Não seria mais fácil aumentar a pressão se os dois atuassem juntos?
No que depender da Uppes, vamos ampliar esse trabalho. Inclusive, o Sepe nasceu aqui dentro do sindicato. Não há razão para não nos unirmos nessa luta, que é muito difícil. Não precisamos apenas do Sepe, mas também de toda a sociedade e, principalmente, dos professores.

O que a Uppes está preparando para a comemoração de seus 65 anos?
A Uppes foi fundada no dia 8 de setembro de 1945. Não comemoramos exatamente nessa data devido ao feriado de 7 de setembro. A nossa comemoração será uma homenagem aos professores e algumas representações de pessoas ou instituições que colaboram com a educação. Vamos entregar medalhas a docentes que foram apontados e votados pelas nossas regionais.

Quais foram os momentos mais marcantes da história do sindicato?
A fundação da Uppes foi bem marcante. O sindicato nasceu da indignação da professora Maria Francisca, fundadora, e de suas colegas, por não terem sido recebidas pelo interventor do Estado do Rio de Janeiro à época. A partir daí, houve essa união e, nessa época, todos os professores eram filiados à Uppes. Outro ponto marcante foi a transformação de associação para sindicato, quando a Constituição nos permitiu que fizéssemos essa mudança. Foi em uma assembleia bastante mobilizada e por unanimidade foi feita essa troca. Isso ocorreu em 16 de novembro de 1988, logo após a instituição da Constituição. O plano de carreira também marcou a Uppes, no qual trabalhamos e conseguimos a sua criação. E estamos batalhando também para mantê-lo, de vez em quando entra um governo que quer derrubá-lo ou modificá-lo. O plano é bom. Ruim é o salário. Importante também é manter o patrimônio para os professores, pensando mais na ação da diretoria do sindicato. Hoje, temos um departamento jurídico com quatro advogados, que fazem também a defesa do consumidor, e um departamento técnico, que acompanha os processos administrativos. Oferecemos dentista, aulas de Inglês, Espanhol e Português, temos convênios com vários laboratórios, lojas, que dão descontos para professores filiados à entidade. Temos três subsedes em três regiões: Campos, Nova Friburgo e Itaocara, que têm o objetivo de se aproximar dos seus filiados. Além disso, há a Casa do Professor, um ambiente de cultura e lazer, com piscina, sauna, hospedagem. Outro período marcante foi quando os governadores vinham à sede da Uppes para saber o que os professores desejavam. Há fotos dessa época. Infelizmente, esses últimos governos abandonaram esse lado. Tivemos recentemente uma reunião do Conselho Estadual de Educação. Espero que aquele momento da nossa história esteja voltando. E quem sabe um governador bem intencionado - também não queremos qualquer governante aqui não - venha até a Uppes para nos atender, pois sabemos o que o professor precisa. Uma coisa importante é que temos voz na Comissão de Educação da Alerj, temos representantes no Conselho Estadual de Educação e no dos municípios.

Quais os planos a curto e médio prazos para a expansão do sindicato?
A curto prazo, estamos colocando na Casa do Professor uma lan house para os docentes acessarem a internet, fazendo obras para melhorias e ampliação do local. Além disso, pretendemos oferecer mais conforto ainda ao professor. A longo prazo, queremos ampliar as subsedes pelo interior. É um sonho, um dever nosso. São seis regionais pelo estado, com três subsedes, que são bem ativas.